Atuação do fisioterapeuta no tratamento aos pacientes com COVID-19

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Pandemia Covid-19

A Fisioterapia e a COVID-19

por Dra. Sandra Watanabe – fisioterapeuta

Os fisioterapeutas, assim como os médicos e os enfermeiros, estão na linha de frente ao tratamento dos pacientes com COVID-19 nos hospitais.

O principal sintoma que levam as pessoas a procurarem um hospital, é a falta de ar, chegando muito cansados ao local. São internados necessitando do oxigênio, e logo os profissionais vão avaliando e acompanhando a evolução desses pacientes.

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Dra. Sandra Watanabe

Observa-se que os sintomas têm variado de paciente para paciente, tudo depende se tem ou não alguma comorbidade (hipertensão, diabetes, obesidade, doenças respiratórias, fumantes, idosos, entre outros).

Enquanto estão internados nos quartos e no setor de semi intensivo, os fisioterapeutas acompanham o tratamento desses pacientes, que consiste em fazer exercícios respiratórios e exercícios motores.

Os exercícios respiratórios podem ou não serem associados com movimentos dos braços. Pede-se que levante um braço ou os dois ao mesmo tempo para cima e para baixo e abrindo e fechando, associando com a inspiração e a expiração. Esses movimentos ajudam a aumentar o espaço na caixa torácica, ajudando os pulmões a expandir e aumentar o volume respiratório. Exercícios com uso do RESPIRON, um aparelho que trabalha para o aumentar o volume inspiratório. E com esses exercícios vamos fortalecendo os músculos respiratórios e aumentando a oxigenação dos pulmões.

O tempo das sessões de fisioterapia com esses pacientes, depende de paciente para paciente, alguns se cansam mais e outros menos, porque cada caso evolui de forma diferente. Assim, os fisioterapeutas vão dosando os exercícios sendo necessário avaliar o paciente em cada sessão de fisioterapia.

Necessário também orientar os exercícios físicos para a parte motora. Pedimos que o paciente faça exercício de sentar e levantar da cama ou da poltrona, motivar o paciente a caminhar pelo quarto, visto que esse paciente não pode caminhar pelo corredor do hospital, pois fica restrito ao acompanhamento dos profissionais da equipe, não podem receber visitas.

Orienta-se o paciente que fique em prono (deitado de barriga para baixo), por 30 minutos todos os dias. Os fisioterapeutas têm observado uma melhora na ventilação pulmonar dos pacientes nessa posição.

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O tempo das sessões de fisioterapia com esses pacientes, depende de paciente para paciente, alguns se cansam mais e outros menos, porque cada caso evolui de forma diferente. Assim, os fisioterapeutas vão dosando os exercícios sendo necessário avaliar o paciente em cada sessão de fisioterapia. Os pacientes são submetidos aos exercícios duas vezes ao dia. Cabe aos fisioterapeutas também motivar esses pacientes a se levantarem para fazer os exercícios, pois o movimento é sempre primordial para sua recuperação.

Pacientes que não tem boa evolução clínica ou se já chegam com sintomas graves, são submetidos a ventilação mecânica na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), e ficam bastante restritos aos cuidados dos fisioterapeutas, que atuam nos ajustes dos ventiladores para manter os níveis de oxigênio altos, até que os pulmões voltem a funcionar normalmente.

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Precisam estar atentos aos ventiladores para que não tenha perigo de desconectar e           vazar o aerosol, porque se vazar, pode contaminar a equipe de profissionais. Tem a função de realizar as aspirações desses pacientes, que produzem muita secreção nos pulmões. Fazem as mudanças de decúbito*¹, que é muito importante e necessária, visto que muitos pacientes não conseguem se movimentar sozinhos no leito.

Para fazer o trabalho motor nas UTIs, os fisioterapeutas estão usando um aparelho chamado FES (eletroestimulação funcional), que faz contrações em alguns grupos musculares como o diafragma (músculo respiratório), quadríceps (nas coxas) e tibiais anteriores (músculos das pernas), com o objetivo de manter o mínimo de tônus*² desses músculos. Alguns pacientes, chegam a ficar mais de um mês internados, sendo assim a importância do uso desse aparelho, porque o intuito dele é o fortalecimento dos músculos.

Há muitos pacientes que não precisam de ventilação mecânica e quando recebem alta, voltam para a vida normal, sem dificuldades. Outros, mesmo sem a necessidade do uso dos ventiladores, recebem alta e sentem ainda bastante cansaço, esses com certeza precisarão fazer os exercícios orientados pelos fisioterapeutas por um bom tempo.

Existem casos, onde o paciente sente muita dificuldade para tomar banho, dificuldade para caminhar de um cômodo para outro de sua casa e até para se alimentar. Esses pacientes devem continuar os exercícios em casa, seguir todas as orientações dadas pelos fisioterapeutas, pois ainda precisam ficar isolados por um tempo, também de acordo com as orientações médicas.

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Clinica da Dra. Sandra

Não temos informação se estes pacientes, após a ata, estão tendo atendimento fisioterapêutico em seu domicílio.

Esse cansaço que os pacientes sentem, se dá por conta da pneumonia causada pelo COVID-19. É uma pneumonia viral que evolui de forma muito agressiva, por isso a necessidade do uso de ventiladores em alguns casos.

A pneumonia comum que conhecemos é a bacteriana e é tratada com antibióticos, já a pneumonia viral, que acompanha o COVID-19, não tem um medicamento específico para o tratamento. Esse é o problema principal, não temos um medicamento eficaz para combater o invasor.

Sendo assim, se faz necessário todos os cuidados de higienização para se prevenir.

Essas informações foram colhidas de uma fisioterapeuta que atua em dois hospitais do setor privado em São Paulo capital.

Sandra Watanabe
Fisioterapeuta
Campinas – SP

Observação importante: A foto da fisioterapeuta foi feita por ela mesma na sua clinica e sozinha, por isso a segurança de estar sem máscara de proteção.

*¹ Atitude do corpo em repouso em um plano horizontal. Decúbito dorsal ou supina (pessoa que deita com a barriga voltada para cima) Decúbito ventral ou prona (pessoa que deita de bruços) Decúbito lateral (esquerdo ou direito) … Posição de Fowler (variável da supina, porém a cabeceira é elevada a um angulo de 45° a 60° e os joelhos são ligeiramente elevados)

Estado de excitabilidade do sistema nervoso que controla ou influencia os músculos esqueléticos 2. estado normal de elasticidade e resistência de um órgão ou tecido; tono.

Leia também:

O longo caminho para a reabilitação após cura da COVID-19

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