5 Cientistas Negras que Mudaram a História

Março: Mês da Mulher

Mesmo com todos os obstáculos do racismo estrutural, mulheres negras enfrentaram os preconceitos e limitações da academia e do mercado de trabalho, deixando um gigantesco legado para a ciência e a sociedade. De tratamentos para doenças infecciosas letais até a construção de naves que ultrapassaram a atmosfera e conquistaram o espaço, conheça cinco das maiores contribuições de cientistas negras para a humanidade

Mae Jemison

Mae se formou em Engenharia Química na Universidade Stanford (Foto: Wikimedia Commons)

Mae Carol Jemison nasceu no dia 17 de outubro de 1956, no Alabama, EUA, época em que a Nasa não permitia que mulheres se tornassem astronautas — muito menos mulheres negras —, mas é claro que isso não impediu Jemison de sonhar. Fã de Star Trek, a cientista se inspirava na tenente Nyota Uhura, interpretada por Nichelle Nichols.

Jemison se formou em engenharia química pela Universidade Stanford e, depois, em Medicina na Universidade Cornell. Em 1987, ela conseguiu entrar para a equipe da Nasa após um longo processo seletivo: de dois mil candidatos, ela foi uma das 15 pessoas selecionadas.

Apenas cinco anos depois da contratação, ela realizou o sonho de fazer parte da tripulação de um ônibus espacial, o Endeavour, na missão STS-47, que orbitou a Terra entre os dias 12 e 20 de setembro de 1992. No ano seguinte, a astronauta resolveu se despedir da agência norte-americana para estudar mais sobre tecnologia espacial. Atualmente, ela lidera a organização 100 Year Starship, que tem como objetivo enviar humanos para além do Sistema Solar nos próximos 100 anos.

Mamie Phipps Clark

Seu trabalho mais famoso é o teste das bonecas, no qual Mamie avaliou as preferências raciais de crianças (Foto: Creative Commons)

Mamie Phipps Clark nasceu em 1917, nos Estados Unidos, e faleceu em agosto de 1983. Ela foi psicóloga social e, até chegar na Universidade Columbia, sua educação havia disso bastante segregada. Apesar de seu pai ter sido um médico respeitado, sua família foi discriminada por ser negra. Em uma entrevista de 1976, Clark relembrou um linchamento racista em sua cidade, ocorrido quando ela tinha apenas seis anos, e descreveu sentir os efeitos da segregação educacional durante a infância.

Seu trabalho mais famoso é o “teste das bonecas”, no qual Mamie e seu avaliou as preferências raciais de crianças usando quatro bonecas que diferiam apenas no cabelo e na cor da pele. O experimento revelou que, quando perguntadas sobre diversas qualidades, as crianças atribuíram mais as características mais positivas aos brinquedos brancos e as mais negativas aos bonecos negros. Mamie e seu marido, o também psicólogo Kenneth Clark, concluíram que o preconceito, a discriminação e a segregação fizeram com que as crianças negras desenvolvessem um senso de inferioridade e de “auto-ódio”. Ela completa: “Se a sociedade diz que é melhor ser branco, não apenas os brancos, mas os negros passam a acreditar. E uma criança tenta escapar da armadilha da inferioridade negando sua própria raça.”

Katherine Johnson

Johnson nasceu em 1918 e sempre foi uma criança prodígio (Foto: Wikimedia Commons)
Falecida em fevereiro deste ano aos 101 anos, Katherine Johnson deixou um legado extremamente importante para mulheres na ciência e o avanço da tecnologia. Desde pequena, a matemática era uma aluna prodígio: aos 14 anos, ela terminou o ensino médio e , aos 18, recebeu seu diploma universitário. Mais tarde, en 1953, Johnson começou a trabalhar na Nasa como “computadora” – nome dado às mulheres que, na época, faziam os cálculos matemáticos à mão, já que os computadores eletrônicos ainda não existiam.

Na agência espacial norte-americana, ela fez parte de uma equipe de mulheres negras que trabalhavam no Centro de Pesquisa Langley, em Virginia, nos Estados Unidos, onde se dedicaram a fazer cálculos para o lançamento de sondas e foguetes. Foi Katherine quem forneceu os dados finais necessários para a missão que levou o astronauta John Glenn a orbitar a Terra pela primeira vez, em 1962.

No trabalho, ela era conhecida por perguntar “como”, “por quê” e “por que não”. Na época, mulheres não participavam de reuniões, mas, como não havia lei que as proibissem, Johnson começou a frequentar os encontros. Outra injustiça comum era que apenas os engenheiros assinavam a autoria das pesquisas e dos cálculos, mesmo que tivessem contado com a colaboração de mulheres. Em 1960, Johnson se tornou a primeira mulher de sua divisão a receber crédito por um relatório de pesquisa. Ao longo de sua carreira, ela assinou 26 documentos.

Annie Easley

Annie Easley foi uma matemática e cientista da computação  (Foto: NASA)

Annie Easley foi uma matemática e cientista da computação que viveu entre 1933 e 2011, quando faleceu aos 78 anos. Retratada na famosa foto ao lado de um enorme painel de controle, a cientista trabalhou por 34 anos na Nasa — assim como Katherine Johnson, Easley atuou na agência espacial desde que ela se chamava Naca.

Mesmo tendo “mais lembranças boas do que más”, Easley estava ciente da discriminação racial que sofria na instituição. Ela, por exemplo, foi cortada da maioria das fotos oficiais.

Seu trabalho envolveu o desenvolvimento e a implementação de códigos de computador que analisavam tecnologias alternativas de energia. Ela também liderou a equipe que desenvolveu o software do estágio de foguete Centaur e ajudou a identificar sistemas de conversão de energia e outras alternativas para resolver problemas energéticos.

Alice Augusta Ball

A vida da química Alice foi curta, mas deixou um legado (Foto: Wikimedia Commons)
A curta vida da química Alice Ball deixou um grande legado para as ciências médicas. Nascida em 1892, formou-se em Química e Farmácia na Universidade de Washington. Ela foi responsável por introduzir um novo tratamento para a hanseníase ao isolar componentes do óleo da semente de chaulmoogra. Sua técnica permaneceu em uso até os anos 1940 e salvou milhares de vidas.

Mesmo assim, Ball só foi reconhecida por sua descoberta muitas décadas após sua morte, que ocorreu em 31 de dezembro de 1916, por turbeculose, quando a pesquisadora tinha apenas 24 anos.

O químico Arthur Dean, presidente da Universidade do Havaí, reivindicou a autoria do estudode Ball e o chamou de “Método Dean”. Em 1992, uma pesquisadora apontou o erro à contribuição e, no ano 2000, a Universidade do Havaí reconheceu oficialmente Ball por seu tratamento pioneiro.

Fonte: Revista Galileu

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